Pesquisar este blog

Estou na rede.

Olá para todos, sou Oliveira Junior e estou criando esta página para compartilhar com o público em geral minhas idéias sobre o mundo. Sou sociólogo de formação e minhas contribuições partem desta área do saber social e cultural. Espero contribuir de alguma forma para o conhecimento do (no) mundo. Sem mais delongas, leiam, prestigiem, incentivem e divulguem. Obrigado, para todos e para todas.

Maceió antiga

segunda-feira, 1 de março de 2010

A IMPLICAÇÃO DO CONHECIMENTO PARA A VIDA COTIDIANA.

A palavra e o sentido do conhecimento de acordo com o dicionário significa “informação ou noção adquiridas pelo estudo ou pela experiência”; “consciência de si mesmo”. Ao longo da História os sentidos e significados do conhecimento vão se expandindo e, com isso, nos proporcionando um saber multireferencial acerca do mundo e dos indivíduos. Onde o cidadão comum esta presente e inserido nesse contexto de conhecer e do conhecimento? O que se discute na academia e não perpassa pelo social e cultural? Existe um processo de exclusão e inclusão. Por quê conhecer? Para quem conhecer? E para quê? O que a ciência pensa do mundo e o mundo da ciência. O objetivo deste trabalho é entender de que maneira o conhecimento implica na vida dos indivíduos que fazem a sociedade e cultura e, de que forma as ciências sociais têm contribuído para o desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade.

A preocupação com o conhecimento vem com os Gregos e seus questionamentos a respeito do Mundo e do Ser. Os primeiros filósofos, os pré-socráticos, dedicaram-se a um conjunto de indagações sobre o ser, a natureza, o mundo e suas transformações. Esses filósofos não tinham uma preocupação com o conhecimento enquanto conhecimento, mas indagavam a possibilidade de conhecermos ou não o Ser. Afirmavam que a realidade é racional e que devido a isso podemos conhecer, pois somos seres racionais e nossa razão é parte da racionalidade do mundo.

Heráclito considerava a Natureza como um fluxo constante onde acontecia o escoamento contínuo dos seres que viviam em mudança perpétua. Para ele, tudo se transforma em seu contrário e, sendo assim, a realidade é a harmonia dos contrários, que não param de modificar. Parmênides colocava-se na posição contrária à de Heráclito. Afirmava que só podemos conhecer aquilo que permanece idêntico a si mesmo, e que o pensamento não pode pensar a respeito de coisas que são e não são. Para ele, conhecer é alcançar o idêntico e imutável.

Demócrito indo na contramão das idéias de Heráclito e Parmênides, desenvolveu sua teoria sobre o Ser e a Natureza. Sua teoria ficou conhecida como atomismo, pois para ele, a realidade é constituída de átomos, que siginifia, o que não pode ser dividido ou cortado. É a menor partícula indivisível de todas as coisas (Chauí, 1994).

Desde os primórdios do pensamento filosófico, a Filosofia preocupou-se e preocupa-se com o problema do conhecimento na busca da verdade e do verdadeiro. Os filósofos entenderam que o pensamento humano parece seguir uma lei ou regra para conhecer o que não se conhece e o que se pretende conhecer: a realidade e o indivíduo.

O ser humano buscava uma explicação para o mundo, uma ordem para o caos. O saber filosófico designava, a totalidade do conhecimento racional desenvolvido pelo ser humano. Todo o conjunto dos conhecimentos racionais integrava o universo do saber filosófico. Para a filosofia interessava conhecer a realidade sem dividi-la em objetos específicos. Até a Idade Média esse significado amplo e universalista do saber filosófico foram mantidos.

Com a Idade Moderna esse campo ampliado da filosofia entrou num processo de redução, onde a realidade a ser conhecida passou a ser dividida e recortada, despertando com isso, estudos especializados e, ocasionando a separação entre aquilo que é ciência e filosofia. Cada uma no seu tempo, as ciências foram conquistando autonomia e se desprenderam da árvore do saber filosófico. Ao se constituírem por um processo de especialização, as ciências que surgem passaram a direcionar suas investigações para certos campos delimitados da realidade.

Dessa forma as ciências sociais construíram um cabedal teórico a respeito do indivíduo e da sociedade e cultura que contribui para o desenvolvimento sócio-cultural e para a manutenção da ordem a ser estabelecida. Os cientistas sociais preocupados com o desenvolvimento dos indivíduos em sua cotidianidade passaram a contribuir com governantes e sociedade civil.

Um dos primeiros cientistas a chamar a atenção para a origem do conhecimento social foi Montaigne, reconhece a impossibilidade de desvincular a produção do pensamento em relação ao horizonte de costumes e do âmbito social em que vive o sujeito. Destrói a confiança em relação ao pensamento racionalista e empirista na possibilidade de fundar uma interação cognitiva invariável entre o sujeito e o objeto como condição para o conhecimento. Abala os alicerces do sujeito na pretensão de avaliar o mundo e sua realidade mediante o recurso da experiência sensível ou da racionalidade. No entanto, foi Augusto Comte quem forneceu subsídios para configurar as relações de conhecimento e contexto social (Mattedi, 2006).

Augusto Comte estudou matemática e ciências na Escola Politécnica de Paris. Foi secretário e assessor do filósofo Saint Simon, onde através de sua influência intelectual inspirou-se na idéia de criar uma ciência social específica, a qual denominou de sociologia. Positivismo foi à designação da doutrina criada por Comte, fundada na extrema valorização do método científico das ciências positivas, baseadas nos fatos e experiências, bem como na recusa das discussões metafísicas. O termo positivismo é adotado e define toda uma diretriz para a filosofia proposta por Comte, de culto da ciência e sacralização do método científico.

Para Comte o espírito positivo seria mais apto para a organização da harmonia mental do que o espírito teológico e metafísico. Dessa maneira formulou uma concepção conhecida como Lei dos três estados, onde a partir daí aconteceria à evolução histórica do conhecimento através de três estágios do progresso humano. Diz ele que, quaisquer de nossas especulações estão inevitavelmente sujeitas, quer no indivíduo, quer na espécie, a passar sucessivamente por três estados teóricos diferentes, que as denominações habituais de teológico, metafísico e positivo... (Comte: 1978, 43).

O positivismo de Comte tem a característica de confiança nos benefícios trazidos pelo industrialismo na Europa, assim como por um otimismo em relação ao progresso do sistema capitalista, conduzido pela técnica e pela ciência. Nesse contexto a lei dos três estados resume o pensamento desse cientista em relação à evolução histórica e cultural da humanidade.

O estado teológico ou primeiro estado deve sempre ser concebido como provisório e preparatório; no estado metafísico ou segundo estado constitui uma modificação dissolvente, onde comporta uma simples destinação transitória para conduzir ao terceiro estado; o estado positivo ou terceiro estado é o único plenamente normal e constitui o regime definitivo da razão humana. O espírito humano, segundo Comte, esta aquém dos mais simples problemas científicos (Comte, 1978).

No estado teológico o espírito humano estaria no ponto de partida da inteligência humana, dirigindo suas investigações para a natureza intrínseca do ser, no qual os fenômenos do mundo são vistos como produzidos por seres sobrenaturais. O ponto culminante desse estado acontece quando o ser humano passa do politeísmo para o monoteísmo.

No estado metafísico a natureza dos seres sobrenaturais do estado teológico passa a ser substituída pela ação das forças abstratas consideradas como representantes dos seres do mundo. Os agentes sobrenaturais passam a ser substituídos por forças abstratas inerentes aos diversos seres do mundo.

No estado positivo encontra-se o estágio definitivo da evolução racional da humanidade, reconhecendo a impossibilidade de obter noções absolutas, renuncia a busca da procura da origem do universo, a conhecer as causas íntimas dos fenômenos, para com isso, preocupar-se em descobrir através do raciocínio e da observação às leis efetivas e suas relações invariáveis de sucessão e similitude.

O objetivo do método positivista de investigação é a pesquisa de leis gerais que regem os fenômenos da natureza. O positivismo diferencia-se do empirismo porque não procura reduzir o conhecimento científico puramente pelos fatos observados. Com base nas leis o ser humano torna-se capaz de prever os fenômenos naturais, podendo dessa maneira agir sobre a realidade do mundo. Ver para prever é um dos lemas do método positivista proposto por Comte.

O conhecimento científico, dessa maneira, torna-se um instrumento de transformação da realidade, de domínio do ser humano em relação à natureza. Sendo assim, essas transformações impulsionadas pela ciência buscam o progresso e este deve estar subordinado à ordem. Dessa forma surge mais um lema do sistema positivista aplicado na sociedade: ordem e progresso.

Um dos temas primordiais na obra de Comte é a necessidade de uma maior reorganização completa da sociedade. Dessa maneira, a reforma proposta por ele, deveria seguir os seguintes parâmetros: reorganização intelectual, em seguida a moral, e por fim, a política. A grande tarefa desempenhada pela filosofia positiva seria restabelecer a ordem na sociedade capitalista industrial.

Seguindo os passos do pai fundador da sociologia surge a idéia de Emile Durkheim, onde o programa sociológico desenvolvido por ele contempla uma elaboração de uma interpretação geral da organização social moderna e a resolução de problemas clássicos da teoria do conhecimento. Durkheim inaugura a autonomia da sociologia frente a outras modalidades da ciência (Mattedi, 2006).

Dentro da tradição positivista de delimitar claramente os objetos das ciências para melhor situá-las no campo do conhecimento, Durkheim aponta um reino social, com individualidade distinta dos reinos animal e mineral. Trata-se de um campo com caracteres próprios e que deve, por isso, ser explorado através de métodos apropriados.

Sendo assim, Durkheim em as “Regras do Método Sociológico” propõe seu ponto de vista e metodologia científico para a Sociologia. Para ele, a vida social passou a ser concebida como sendo representações, e a biologia é o norte para que crie seu método. Os fatos sociais são acontecimentos da vida em sociedade e vistos como coisas. A coisa é tudo aquilo que a idéia não consegue explicitar. Separa a consciência coletiva da individual. Para entender a sociedade se faz necessário entendê-la de uma forma coletiva não individual e particular.

Durkheim fala de um reino moral em que a vida social não é outra coisa que o meio moral, ou melhor, o conjunto dos diversos meios morais que cercam o indivíduo.

Para ele, a sociologia pode ser definida como a ciência das instituições, da sua gênese e do seu funcionamento. São as maneiras de agir, pensar e sentir que apresentam notável propriedade fora das consciências individuais. Sendo assim, os fenômenos orgânicos seriam as representações e ações e os fenômenos psíquicos existem na consciência coletiva. Nem toda obrigação social exclui a personalidade individual. Só existem fatos sociais onde houver organização definida, porém há outros fatos que têm a mesma objetividade sobre o indivíduo.

Em “As formas elementares da vida religiosa” Durkheim se propõe estudar a religião mais primitiva e simples e, dela fazer uma análise e explicação. Afirma que um sistema religioso é o mais simples quando se encontra em sociedades cuja organização não é ultrapassado por nenhuma outra em simplicidade e, que seja possível explicá-lo sem fazer intervir nenhum elemento tomado de uma religião anterior. Dessa maneira, a sociologia coloca problemas diferentes daqueles da história ou da etnografia, pois ela não busca conhecer as formas extintas de civilizações com o único intuito de conhecê-las e reconstruí-las. Toda a ciência positiva tem por objetivo explicar uma dada realidade, capaz de afetar nossas idéias e nosso atos. Essa realidade é o ser humano atual, porque não existe outro que a sociologia esteja mais interessada em conhecer bem (Durkheim, 1996).

Para que seja possível conhecer a humanidade presente é necessário afastar-se dela e transportar-se aos começos da história. Admitir que os cultos grosseiros das tribos australianas podem ajudar-nos a compreender o cristianismo, por exemplo, não é supor que este procede da mesma mentalidade, ou seja, que é feito das mesmas superstições e repousa sobre os mesmos erros? (Durkhiem: 1996, VI).

A sociologia tem por princípio que uma instituição humana não pode repousar sobre o erro e mentira, pois dessa forma não poderia durar. As religiões “primitivas” ou simples servem de estudo, porque pertencem ao mundo real e o exprimem. Sendo assim, os ritos mais extravagantes ou mais bárbaros, os mitos mais estranhos passam a traduzir alguma necessidade inerente ao ser humano e sua humanidade, algum aspecto da vida, seja individual ou social.

A história para Durkheim é o único método possível de análise explicativa. Somente ela, a História, é capaz de nos permitir decompor uma instituição em seus elementos constitutivos, porque, nos mostra os elementos nascendo no tempo uns após os outros. E a observação histórica e etnográfica permiti-nos revelar os meandros das instituições.

A sociedade é uma realidade especifica, porque não é um império, ela faz parte da natureza, por ser sua manifestação mais elevada. O reino social é um reino natural que não se diferencia dos outros a não ser por sua maior complexidade. Dessa forma, é para fora de nós, afirma Durkheim, que devemos olhar, é a história que devemos observar, é toda uma ciência que devemos instituir, uma ciência complexa que só pode crescer e desenvolver lentamente por um trabalho coletivo.

Os gregos foram os primeiros a desenvolver uma visão do mundo em relação ao conhecimento, porém com a evolução do meio e do todo através da ciência surgiram novos discursos e visões sobre a sociedade, cultura e o indivíduo. Não existe dúvida que todo o nosso conhecimento começa com a experiência, no entanto, nem por isso todo ele parte da experiência.

Dessa forma, com o surgimento das ciências sociais diversos pensadores se debruçaram sobre os problemas que aflige a sociedade e, com isso, procuraram desenvolver modos de conhecer a realidade para melhor lidar com os problemas da vida cotidiana. Desde os primórdios até hoje em dia o ser humano, vive uma busca incessante por compreender a si mesmo e o mundo à sua volta. A partir daí diversos pensadores perceberam que seria necessário entender primeiro sua própria capacidade de entender, antes de confiar na percepção e na compreensão que tinham a respeito das coisas.

No processo de conhecimento existe uma relação entre dois elementos básicos: um sujeito conhecedor e um objeto conhecido. Com isso, as ciências sociais passaram a desenvolver modos de compreensão sobre a realidade que visa uma dinâmica do indivíduo em relação à sociedade, onde se busca um ideal de ordem e progresso que nem sempre condiz com a realidade e as necessidades.

A sociologia é conhecida como a ciência da sociedade, ou ciência dos fenômenos sociais, ou ciência das instituições sociais etc.. Vários são os conceitos para essa ciência. No entanto, o que se pretende com a sociologia é entender o funcionamento dos indivíduos na sociedade e em sua cultura para que se possa proporcionar melhor qualidade de vida e segurança.

O conhecimento sociológico contribui para um melhor desenvolvimento de uma consciência crítica dos indivíduos envolvidos no processo de reprodução e transformação social e cultural. A sociedade moderna tem como sua característica a desigualdade social e esta situação apresenta para os cientistas sociais um vasto material de estudos e pesquisas. Os diversos temas sociais servem de análise para a sociologia.

A sociologia esta presente na vida de todos os indivíduos, pois de acordo com algumas correntes metodológicas contemporâneas, todos somos sociólogos por natureza. No entanto, nem todos os indivíduos se percebem como construtores de sua própria história, porque o cotidiano é vivido de uma maneira onde o fazer diário nos cega devido às necessidades impostas pelo sistema.

O cotidiano é parte intrínseca do homem. É tudo o que se faz no “aqui-e-agora”. O homem cotidiano é aquele que esta sempre em busca de sua sobrevivência e, com isso, acaba não tendo tempo nem estímulo para desenvolver-se plenamente em toda a sua plenitude e potencialidade. Isto, porque, somos esmagados pelas imposições cotidianas que nos são colocadas, mas, temos plenas condições de buscarmos uma vida justa e digna se passarmos a ter consciência de todas as imposições auferidas por aqueles que nos exploram e massacram nossa existência.

A vida cotidiana é apresentada como sendo uma realidade criada pelo ser humano e, subjetivamente passa a ser dotada de sentido a partir do momento em que os acontecimentos passam a ter uma certa coerência interna para quem as vive. O mundo da vida cotidiana não é somente real para alguns membros que constituem a sociedade na sua conduta subjetiva dando assim sentido às suas vidas, mas é também, um mundo onde todos participam (ou, melhor deveriam participar) na construção da realidade social.

Nenhum comentário:

Postar um comentário