Com o surgimento da filosofia na Grécia Antiga, os primeiros filósofos, ou seja, os pré-socráticos se dedicaram a indagações a respeito da existência das coisas no mundo, sobre o mundo, a Natureza, seus acontecimentos e transformações, para que se chegasse a conclusões sobre o que vem a ser: o Ser. A Filosofia em seu surgimento tornou-se ontologia, ou, o conhecimento, saber sobre o Ser. Os Gregos indagavam que se podemos ou não conhecer o Ser, partindo do pressuposto que a verdade, sendo aletheia, ou seja, presença e manifestação da vida para os nossos sentidos e, para nosso pensamento, significa que o ser está manifesto e presente para nós e, por isso, podemos conhecê-lo.
Desde o seu começo o pensamento filosófico esteve voltado para a questão do conhecimento, pois estiveram sempre interessados a respeito do verdadeiro e da verdade. Os filósofos perceberam que o pensamento produzido pelo ser humano parece seguir certas leis, regras, métodos para poder entender e conhecer os fatos e acontecimentos e que existe uma diferença entre perceber e pensar. Sendo assim, a crítica filosófica do problema do conhecimento buscava converter a filosofia em juiz do processo cognitivo (Mattedi, 2006).
No início da Idade Moderna, o problema relacionado ao conhecimento subordinava-se a preocupação de ordem metafísica. A partir do século XVII, o conhecimento tornou-se uma disciplina da Filosofia. Para os modernos a questão do conhecimento é anterior à ontologia e, por isso, pré-requisito para a Filosofia e as demais ciências. Com a perspectiva cristã algumas distinções romperam com a idéia grega de uma participação direta e harmoniosa entre intelecto e verdade, nosso ser e o mundo.
Para os pensadores da modernidade a verdade dependia da revelação e da verdade divina e nosso intelecto foi pervertido, por isso, não podemos conhecer a verdade. O problema do conhecimento torna-se crucial e a Filosofia precisava examinar a capacidade humana de conhecer pelo entendimento, ou seja, do conhecimento. A tória do conhecimento volta-se para a relação entre o pensamento e as coisas, a consciência (interior) e a realidade (exterior), o entendimento e a realidade, em suma, o sujeito e o objeto do conhecimento.
Quem inicia o exame da capacidade humana é o inglês Francis Bacon e o francês René Descartes. Porém, quem primeiro propõe uma teoria do conhecimento é o inglês John Locke. As dificuldades encontradas por Locke a respeito das possibilidades do conhecimento estimulam respostas de David Hume e Immanuel Kant. No entanto, essas teorias clássicas sobre o conhecimento ocupavam-se com o problema da relação existente entre nossas idéias do mundo e o mundo em si (Mattedi, 2006).
Quem primeiro chama a atenção para a origem social do conhecimento foi Montaigne, destrói a confiança depositada no pensamento racionalista e empirista na possibilidade de fundar uma relação cognitiva estável entre o sujeito e o objeto como condição para o conhecimento. Acaba com os alicerces do indivíduo na pretensão de avaliar o mundo de acordo com o recurso da experiência sensível ou da racionalidade. Augusto Comte, também, forneceu subsídios para configurar as relações entre conhecimento e contexto social. Segundo Matterdi (2006, pág. 14),
Para Comte, somente as ciências experimentais produziam verdades confiáveis sobre o mundo e todo e qualquer outro tipo de juízo que não se baseasse na ciência devia ser abandonado como sendo metafísico, pois o aparecimento da ciência representava a possibilidade da humanidade viver em ‘ordem’ e ‘progresso’ (Comte, 1996, p. 41-122)
Durkheim, Weber e Marx permitiram problematizar as bases sociais do conhecimento e propuseram um método para as ciências sociais.
A Sociologia surge na Europa ocidental com o começo da sociedade moderna onde à urbanização e a industrialização se prolifera vertiginosamente. Este processo de transformação ocorreu com idéias seculares, ou seja, não religiosas, tais como a de igualdade e liberdade universais. O que impulsionou estas transformações foi a Revolução Francesa ocorrida em 1789, e a Revolução Industrial que aconteceu no final do século XVIII na Inglaterra e se espalhou pela Europa ocidental e Estados Unidos durante o século XIX. Estas revoluções significaram a consolidação do sistema capitalista na sociedade mundial, passando a existir uma hegemonia da produção capitalista e do poder político da burguesia enquanto classe social, o que fazia com que fossem criadas novas necessidades na sociedade e conflitos entre as duas classes sociais que surgiam deste processo: a burguesia e o proletariado.
Estas revoluções colocaram grandes questões para a humanidade, como por exemplo, as questões sociais, que demandava um maior controle e organização. Dentre os principais problemas sociais e culturais encontrados, existia a superexploração da classe que vive do trabalho, produto do processo de industrialização, e que naquela época se encontrava desorganizada enquanto classe e submetida aos interesses da burguesia que emergia com toda força.
A ausência de uma planificação urbana nos recém-surgidos centros urbanos agravava os problemas sociais. Mortalidade infantil e adulta, condições precárias de moradia, exploração intensa do trabalho infantil e feminino, dentre outros aspectos. Isto acarretava em conflitos sociais e fez surgir às primeiras manifestações da classe operária, o que demandou a necessidade de um forte e estruturado aparato estatal para manter a ordem e estudos e pesquisas a respeito dos trabalhadores e famílias, dentre outros temas.
No final do século XIX reina a crença na ciência e no esclarecimento, com isso, passa a existir um descrédito nas explicações religiosas. Neste século passa a predominar o cientificismo e as idéias de ciência, razão e progresso como explicações para um desenvolvimento histórico. Nesse período as ciências humanas se desenvolvem vertiginosamente. As ciências naturais eram vistas como instrumento de entendimento e controle dos fenômenos naturais, por isso, este modo de pensar foi transposto para dentro das ciências humanas, que deveriam entender e contribuir com o controle social.
A sociologia recebe várias definições de acordo com os diversos pensamentos propostos para essa ciência. Alguns dizem que é a ciência da sociedade, outros que ela é a ciência dos fenômenos sociais. Também foi definida como a ciência das instituições, ou a ciência da organização e mudança social, ou ciência das relações humanas, ou ciência dos processos sociais, ou ciência do comportamento coletivo. No meu modo de pensar a sociologia é a ciência que estuda a sociedade e sua cultura e a forma como os indivíduos vivem, habitam, transformam e mantém a tradição, hábitos e costumes.
Durkheim em as “Regras do Método Sociológico” propõe seu ponto de vista e metodologia científica para a Sociologia. Diz ele que, a sua regra não é nenhuma concepção metafísica e muito menos uma especulação sobre o fundo dos seres. Reclama que o sociólogo se ponha no estado de espírito em que estão físicos, químicos, fisiologistas, quando estes entram em uma região pouco explorada do seu domínio científico. O sociólogo move-se dentro de coisas imediatamente transparentes ao espírito (Durkheim, 2006).
Ele inaugura a autonomia da sociologia em relação às outras modalidades da ciência e preocupa-se com um método que possibilite maior liberdade para a sociologia e para os sociólogos. Pensou em uma ciência que tem objeto próprio e que possa fazer analogias com outras ciências.
“Exagerar é minha profissão”, é assim que Weber define a sociologia por ele proposta. Observou que o político precisa assumir compromissos enquanto que ao cientista isso é vedado. Seu nome encontra-se profundamente associado à literatura sociológica devido à formulação de um conceito para a análise histórica e social: o “tipo ideal”. Um recurso metodológico que serve para orientação do cientista no interior da inesgotável variedade de fenômenos observáveis na vida social. A realidade social só pode ser conhecida quando aqueles traços seus que interessam intensamente ao pesquisador são metodicamente exagerados, para em seguida se poder formular com clareza as questões relevantes sobre as relações entre os fenômenos observados. (Cohn, 1997).
Weber é o analista por excelência do conflito, do confronto de interesses e valores inconciliáveis, da dominação e do poder.
Marx não foi o primeiro pensador a ocupar-se da relação entre conhecimento e contexto social, mas foi um dos primeiros a caracterizar as determinações que o contexto social exerce em relação às formas de conhecimento. Em “Para a crítica da economia política”, diz que, o objeto de seu estudo ao qual pretende desenvolver seus saberes é a produção material, ou seja, a produção dos indivíduos determinada socialmente, esse é o ponto de vista, ou visão de mundo onde pretende perceber sobre o cotidiano dos seres humanos (Marx, 1978).
A riqueza das sociedades onde rege a produção capitalista configura-se em uma imensa acumulação de mercadorias. A mercadoria é um objeto externo, uma coisa que, por suas propriedades, satisfaz necessidades humanas, seja qual for à natureza, a origem delas, provenham do estômago, ou da fantasia.
Enquanto a sociologia que Durkheim contribuiu para criar debatia-se com a necessidade de um método científico como um domínio de saber independente e consagrado. A sociologia contemporânea passou a ter uma conflitualidade interna de métodos. A sociologia nos dias atuais passou a ser um espaço plural. Com o processo de internacionalização, ou mundialização da cultura surgiram novas práticas e novos discursos sobre as questões sociais e culturais. A modernidade acendeu a consciência da desordem de maneira tamanha que o recurso a explicações da ordem fez mais apelo à desordem. As ciências sociais, assim como todas as ciências na modernidade passam por um período de desencantamento e encantamento (Pais, 1996).
terça-feira, 16 de março de 2010
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